martes, 16 de marzo de 2010

medo.

medo do futuro.
medo do que é incerto.
medo do que estamos construindo.
medo do que estamos destruindo.

o que é e não é.

Sim, eles mentem. Eles fingem. Eles mascaram.
Fazem-nos acreditar que aquele é o objetivo final, mas na verdade é mais uma estratégia de nos incluir nos números e títulos.
A formação universitária me entristece. O ensino superior me entristece.
Hoje ouvi de uma auxiliar de enfermagem, uma pessoa simples e há muito na prática, que deve ter no máximo seu curso de um ano de auxiliar há um bom tempo, uma frase um tanto quanto profunda. Era uma passagem de plantão, a informação era que não havia sido feito a glicosimetria de tal paciente por falta de fita. Alguém disse: "o hospital não tem dinheiro para comprar fita". E alguém respondeu "é, só tem selo (de qualidade) mas dinheiro não tem". E ela disse, é "o dinheiro é pra comprar o selo".
Pode não ser isso o que aconteça literalmente, mas nas entrelinhas é exatamente assim que ocorre. O que é preciso para se ter o selo? Isso, isso e aquilo. É o que vamos buscar. Existem problemas x, y, z. Sim, mas vamos atrás do título, e depois estas pendências.
Cirurgias adiadas por falta de material, por infecção hospitalar, por ausência de profissional.
Supervisões de estágio que parecem mais confusões de estágio. Há docentes que se salvam. Que conhecem e sabem o que dizem. Têm propriedade para tal. Porém a maioria a única experiência profissional são os estágios na graduação. Que muito, muito, muito pouco se aprende. Se apreende a realidade.
Também reconheço minhas limitações, talvez seja falta de vontade, falta de motivação, ou simplesmente falta de acreditar que um dia tudo será diferente. Poderia atuar mais, talvez sim. Poderia desencanar, estudar por conta, buscar minhas próprias respostas e soluções aos problemas, talvez também.
Nem um, nem outro.
Reconheço, denuncio, às vezes tento, às vezes desisto.
Às vezes, simplesmente digo.
E sigo.