domingo, 11 de septiembre de 2022

la voz y el machismo

 O machismo é podre.

É difícil, muito difícil, entender que uma pessoa possa ser julgada por seu gênero. Sentir na pele o peso disso é mais difícil ainda. O machismo contamina o mundo a ponto de reproduzir esse comportamento dominador, excludente, egoísta, individualista, nojento que coloca duas pessoas em lugares diferentes, por algo que, não as mede, mas sim as caracteriza.

O pior ainda, é o machismo presente em decisões individuais, em que a pessoa está e (não sabe que está) sendo machista. Por isso que é podre. Porque tá tão enraizado que a pessoa não se dá conta, não questiona, não consegue nem enxergar o quanto quem pratica o machismo também é produto dessa imposição. Tá tão permeado no campo do imaginário social que não entra à luz da consciência individual. E o resultado disso é reprodução, reprodução, reprodução. De padrões machistas. Por gerações e gerações. Mulheres, mães, esposas, filhas, sendo sempre julgadas por serem mulheres. Sendo desrespeitadas. Por homens, pais, filhos, maridos. 

Um homem acha que uma mulher não quer algo. E ele acha, dentro da cabeça dele. E então ele decide que ele não vai fazer aquele algo. Porque, ele, o homem, detentor da leitura do pensamento e das vontades alheias, entendeu "pela impressão que a mulher passou" que ela não quer. E ele não faz. E se sente orgulhoso disso, que está fazendo certo. E completa o discurso que está fazendo tão certo pq está pensando como a outra pessoa se sente. Está lendo a outra pessoa. E está tão empenhado em ler a outra pessoa que está tentando acertar. Tentando agradar.

Mas é tão errado, tão errado, que essa pessoa, ao se coloca no lugar da outra, não deixa de ser apenas ele mesmo, de ter o seu ponto de vista, de ter a sua própria lente e maneira de ver o mundo. E com isso, ele retira a possibilidade e a individualidade que o outro tem de se expressar. Ele retira o lugar do outro. Ele retira a voz do outro. Ele ignora que o outro é uma pessoa que tem uma leitura do mundo que é própria dela. E diferente da sua. Ele exclui o lugar que a pessoa tem de sentir a própria dor. De ter a própria vontade. De expressar o próprio desejo.

Não que seja errado ler uma pessoa e ter sua impressão. Tentar imaginar como seria o lugar do outro. Mas, sem perder a visão de que esse lugar é, ainda, seu. O risco, ao tentar se colocar no lugar do outro, ao tentar antecipar tanto a vontade do outro, ao tentar agradar tanto o que a sua mente leu de impressão do outro, é não dar espaço pra que o outro tenha a voz que é dele. É não dar espaço pra que o outro exista. É o tornar invisível. E lá o deixar.

Esse é um dos retratos da prepotência que o machismo perpetua. Do lugar que a pessoa se vê no direito de interferir na vida da outra com base em uma única perspectiva. A dela mesmo.

Preste atenção como você trata as mulheres ao seu redor. 

Se você as vê como pessoas, que assim como você, têm seus próprios lugares que ocupam no mundo. 

Se você respeita suas decisões.

Se você é capaz de ver, que exatamente uma mesma situação, pode ser interpretada de maneiras extremamente opostas por pessoas que tem visões de mundo diferente.

A morte pra uns é fim. Pra outros é começo.

O grito, pra uns é uma expressão. Pra outros, uma agressão.

E nós, mulheres, que possamos ser o que a gente quiser. Onde a gente quiser. Como a gente quiser. No lugar que a gente quiser. E que ninguém tire a nossa voz.

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