Sim, há coisas que podem melhorar. Há vezes que tentamos ajudar do nosso jeito, o que achamos ser o melhor, e aí quando estamos a ponto de desistir, vemos que talvez aquela não era a única possibilidade.
Eu decidi desistir. Desisti de falar, apontar, criticar. E exatamente aí eis que surge algum resultado. Concordo, não lembro onde li, que educar não é falar o que se acredita, mas demonstrá-lo. Falar ensina. Demonstrar convence. E de fato. Com algum custo, superei a retórica, e me dei conta que tal teórica era no mínimo, funcional. Não que a incorpore em todas as perspectivas a partir de então, até porque ainda sou uma ávida defensora e disseminadora do diálogo na resolução de problemas, e ficar quieta quando julgava o diálogo mais que necessário, me rendeu um caos interno a cada vez que a respiração longa e profunda imobilizava ao invés de sacudir as cordas vocais, que por sinal, tinham ânsia em cuspir as palavras, já na ponta da língua.
Mas, no ambiente de convivência mútua familiar, no lar-(não-tão)-doce-lar, até que deu certo. Foi paliativo? Sim, mas necessário.
Além da dinâmica do convívio, tem o choque de gerações. As lentes da cultura com os valores e preceitos com os quais fomos criados e moldados para que tenhamos certo juízo de valor de este ou aquele fato, e acompanhar um mudar de gerações tal como se acompanha um mudar de estações do ano não é tão simples quando aquela outrora já se havia enraizado. E a grande sacada, acompanhada da grande dificuldade, reside em não fazer da diversidade um caos, mas um rever de conceitos, um incorporar de novos ideários, um discernimento do que vou superar e do que vou manter. Mas lá volto eu à retórica da teórica. Pois o conflito é sempre o primeiro a aparecer com cada qual na sua geração. E no fim, cada um no seu quadrado. No mesmo grande quadrado-lar.