havia um tempo em que nunca tinha sido diferente.
e todo mundo reclamava.
hoje é um tempo diferente.
e todo mundo nostalgia aquele tempo.
eu não sei mais o que quero do ontem no amanhã.
o porquê do hoje não quero.
quero mais sim. mais tudo bem. mais é isso. mais pode ser. mais obrigada.
será que é querer muito?
jueves, 7 de mayo de 2020
miércoles, 14 de agosto de 2019
felicidade.
haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
sentirá o ar sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
quando chover, deixar molhar, pra receber o sol quando voltar.
tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar
nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
chorar
sorrir também
e depois dançar
na chuva quando a chuva vem.
(felicidade, jeneci marcelo)
sentirá o ar sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
quando chover, deixar molhar, pra receber o sol quando voltar.
tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar
nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
chorar
sorrir também
e depois dançar
na chuva quando a chuva vem.
(felicidade, jeneci marcelo)
viernes, 19 de julio de 2019
(no) me libres del mal, amen.
que eu não me esqueça quem eu sou, onde estou e pra onde vou.
li o comentário de julho de 2018. fez tanto sentido ser pós terapia como sua continuação esse julho de 2019.
que além de me fazer bem, eu não me esqueça de estar bem para passar pelas coisas ruins.
pedia isso dessa vez nas minhas preces, não me livre do mal que possa vir. mas me dê forças para estar bem e poder passar por ele.
fé, sempre.
amor, pelos que estão aqui e pelos que não estao.
força, pro hoje.
coragem, pro amanhã.
li o comentário de julho de 2018. fez tanto sentido ser pós terapia como sua continuação esse julho de 2019.
que além de me fazer bem, eu não me esqueça de estar bem para passar pelas coisas ruins.
pedia isso dessa vez nas minhas preces, não me livre do mal que possa vir. mas me dê forças para estar bem e poder passar por ele.
fé, sempre.
amor, pelos que estão aqui e pelos que não estao.
força, pro hoje.
coragem, pro amanhã.
lunes, 31 de diciembre de 2018
thirty one.
i like meaningful days.
i like datas that remind us our finitude.
i like this feeling that face us just to tell that time, the real time, is passing away.
more than this, it's gone.
is like it could bring us closer to ourselves. could sober you up.
like i read once i time, the world doesn't stop waiting we'll be ready to go.
like i read once i time, the world doesn't stop waiting we'll be ready to go.
it's just go on and on.
today time is over.
today time is over.
today the present become a past.
tomorrow my page's life is clear and empty.
i just keep holding the pen.
para mi.
este é o último texto da trilogia.
queria dizer inclusive três coisas que me aconteceram.
ontem quase a bicicleta foi roubada, fiquei depois meio sentida pela situação. eram meninos. que perspectiva de vida tinham aos 12-15 anos se não a de roubar o que talvez eles não viam a possibilidade de ter acesso por outro meio, enfim.
mas a lição maior disso tudo é que quem me ajudou foi um morador de rua. pedalei rápido, depois do susto e dos gritos e de não soltar a bike. olhei pra trás pra ver se alguém vinha atrás de mim, desequilibrei bem ao seu lado. ele me disse cuidado. eu contei rapidamente o que tinha passado. ele subiu na sua bicicleta, bem simples, um caixote pequeno no bagageiro. disse que vivia da rua. morava e trabalha na rua com sua bicicleta. e que nada ia me acontecer e que ele ia comigo. ainda me disse que quando a ciclovia estiver vazia, era pra eu ir pela rua. obrigada pela sua gentileza sincera e despretensiosa. agradeci e entrei no plantão, meio esbaforida ainda. mas sabendo que a rua tá cheio de vida por aí, cheia de invisíveis pro mundo mas cheios de história. cheia de desigualdade e solidariedade.
a segunda foi no dia seguinte. também fui fazer feira de bicicleta. já mais esperta e com um colete bem cheguei da minha irmã que só falta falar. era um vendedor bem simples. pedi rúcula e couve. me ofereceu cogumelo, resolvi comprar, era meio caro mas tudo bem. tô sozinha em casa, vou fazer. disse se eu não queria mais coisa que ele me dava. me deu cheiro verde, hortelã, alface, almeirão. eu disse que não precisava, ele fez a sacola e deu a volta pra ma ajudar a colocar na sacola no bagageiro da bicicleta. ele estava descalço. era negro. era magro. o sol devia queimar o asfalto. era muito, muito simples. mais desigualdade. mais solidariedade.
e entre chororôs de saudade, ela me mandou uma mensagem pra tomar um sorvete. fui. pedalei de novo. conversamos bastante. ela me disse uma frase que eu tinha superado mas na hora que se ouve dá aquela engolida seca: será que vocês vão tá junto ainda? sei lá o dia de amanhã, mas ouvir é um tapinha nas cosas dizendo pense nisso. eu sei lá. mas passou. e a segunda foi bonita, eu acho que ela nunca contou pra ele. disse que um dia antes do seu marido falecer, ele perguntou sobre o filho. ela disse: 'eu vou ajudá-lo a ser médico assim como eu te ajudei'. eu tenho certeza que ele pôde ir mais aliviado e que sabia que ela faria. eu acho que ele ficaria feliz se soubesse.
queria dizer inclusive três coisas que me aconteceram.
ontem quase a bicicleta foi roubada, fiquei depois meio sentida pela situação. eram meninos. que perspectiva de vida tinham aos 12-15 anos se não a de roubar o que talvez eles não viam a possibilidade de ter acesso por outro meio, enfim.
mas a lição maior disso tudo é que quem me ajudou foi um morador de rua. pedalei rápido, depois do susto e dos gritos e de não soltar a bike. olhei pra trás pra ver se alguém vinha atrás de mim, desequilibrei bem ao seu lado. ele me disse cuidado. eu contei rapidamente o que tinha passado. ele subiu na sua bicicleta, bem simples, um caixote pequeno no bagageiro. disse que vivia da rua. morava e trabalha na rua com sua bicicleta. e que nada ia me acontecer e que ele ia comigo. ainda me disse que quando a ciclovia estiver vazia, era pra eu ir pela rua. obrigada pela sua gentileza sincera e despretensiosa. agradeci e entrei no plantão, meio esbaforida ainda. mas sabendo que a rua tá cheio de vida por aí, cheia de invisíveis pro mundo mas cheios de história. cheia de desigualdade e solidariedade.
a segunda foi no dia seguinte. também fui fazer feira de bicicleta. já mais esperta e com um colete bem cheguei da minha irmã que só falta falar. era um vendedor bem simples. pedi rúcula e couve. me ofereceu cogumelo, resolvi comprar, era meio caro mas tudo bem. tô sozinha em casa, vou fazer. disse se eu não queria mais coisa que ele me dava. me deu cheiro verde, hortelã, alface, almeirão. eu disse que não precisava, ele fez a sacola e deu a volta pra ma ajudar a colocar na sacola no bagageiro da bicicleta. ele estava descalço. era negro. era magro. o sol devia queimar o asfalto. era muito, muito simples. mais desigualdade. mais solidariedade.
e entre chororôs de saudade, ela me mandou uma mensagem pra tomar um sorvete. fui. pedalei de novo. conversamos bastante. ela me disse uma frase que eu tinha superado mas na hora que se ouve dá aquela engolida seca: será que vocês vão tá junto ainda? sei lá o dia de amanhã, mas ouvir é um tapinha nas cosas dizendo pense nisso. eu sei lá. mas passou. e a segunda foi bonita, eu acho que ela nunca contou pra ele. disse que um dia antes do seu marido falecer, ele perguntou sobre o filho. ela disse: 'eu vou ajudá-lo a ser médico assim como eu te ajudei'. eu tenho certeza que ele pôde ir mais aliviado e que sabia que ela faria. eu acho que ele ficaria feliz se soubesse.
para ella.
hoje foi um dia bem difícil. acho que enquanto eu não sentasse pra organizar e tirar daqui de dentro antes de acabar o dia, não ia passar. tentei dormir, mas acordei antes que o dia acabasse pra me lembrar que não acabou e que não fiz o que desde o começo eu disse que faria. escrever pra você.
hoje revivi aquele dia.
acho que o último dia que peguei na sua mão e você pegou na minha de volta.
o dia que te olhei e soube que era a última vez que te olhava.
já nem escutei mais sua voz nesse dia.
você usava uma máscara, não abria mais o olho, não falava mais também. mas eu entendi que você me dizia que sabia que eu tava lá.
fiquei no pé da sua cama te olhando. ele do meu lado, ela do outro. suspirava, engolia seco, não podia deixar de sentir o gosto salgado das lágrimas que eu segurava.
vim embora.
já não segurava mais. transbordava de dentro de mim.
você tão pequena e tão grande. tão fraca e tão forte.
hoje de manhã sentei na sala. olhei pra porta. me vi chegando do hospital aquele dia, olhando para os meus pais e dizendo que você ia morrer.
aquele dia eu soube.
senti uma dor. doía. eles me abraçavam. eu só chorava.
lembrei que no dia anterior vc entrou pelo pronto socorro e eu nunca saía por lá, e nesse dia resolvi (ainda bem que nossos anjos conversam) passar pelo corredor e lá você na sala de emergência. entrei. você me sorriu. não queria ir pra uti. eu só pude te puncionar, te dar um beijo e dizer que você precisava e que amanhã eu estaria lá pra te ver.
aí lembrei de mais dias anteriores, porque o dia seguinte seu corpo já não respondia mais. o outro você descansou. era primeiro de janeiro.
final de ano não tem como lembrar daqueles três dias em que soube que você partiria.
mas também me lembra dos cinco anos que o seu 'tia sabrina' era o melhor que eu podia escutar.
laços invisíveis são talvez mais fortes que laços de sangue. e eu sei que ali tinha. a gente sabia.
ontem à noite subi na cirurgia pediátrica.
tinha uma menina da sua idade. com a sua cicatriz. com seus drenos. a sua cirurgia. branquinha meio amarela de cabelos pretos, um olhar sério e curioso. de dor e de força. como o seu.
ela não me viu, falei com as meninas, ela pediu pra me ver.
dei a volta no leito. disse oi. ela disse oi. chamava melissa. perguntou se eu ia cuidar dela. igual quando você me fazia. eu disse que aquela hora não, mas que quando ela precisasse sim. disse que eu sabia que doía tudo aquilo. mas que logo logo ia saindo cada um daqueles buraquinhos. disse pra ela acreditar. ela concordou com a cabeça enquanto as meninas a trocavam e a viravam pra um lado e pro outro e trocavam sua cama.
você me veio de pronto na cabeça.
você já não tem nenhum buraquinho agora né.
você já não precisa de sonda nem de agulha. nem de curativo. nem de dreno.
hoje também lembro do nosso primeiro encontro. você no quarto com seu avô. tava internada por uma otite pela sua imunodeficiência. ali não era um encontro. era o nosso reencontro.
eu sei que você sabe que eu tô falando com você. desculpa pela dor e pelo choro que te fiz lembrar hoje.
mas se eu posso te dizer algo hoje é obrigada por ser quem você representou pra mim.
obrigada por me ensinar que grandes batalhas são pra grandes guerreiros. lembro até hoje do seu bracinho magrinho levantando no meio daquele monte de gente quando o pastor contou sua história e eu tava do seu lado.
obrigada pelos seus pais me permitirem cuidar de você.
obrigada por me ensinar que as crianças sabem o que é amor.
desculpa não ter feito mais alguma coisa por você. mas se alguém fez algo ali, foi você por mim.
fica em paz.
segue seu caminho.
brilha sua luz onde quer que você vá.
eu ainda espero ficar um tempão do lado de cá. minha estrada ainda é longa. mas até qualquer dia. até breve. até o próximo reencontro.
com amor.
tia sabrina.
hoje revivi aquele dia.
acho que o último dia que peguei na sua mão e você pegou na minha de volta.
o dia que te olhei e soube que era a última vez que te olhava.
já nem escutei mais sua voz nesse dia.
você usava uma máscara, não abria mais o olho, não falava mais também. mas eu entendi que você me dizia que sabia que eu tava lá.
fiquei no pé da sua cama te olhando. ele do meu lado, ela do outro. suspirava, engolia seco, não podia deixar de sentir o gosto salgado das lágrimas que eu segurava.
vim embora.
já não segurava mais. transbordava de dentro de mim.
você tão pequena e tão grande. tão fraca e tão forte.
hoje de manhã sentei na sala. olhei pra porta. me vi chegando do hospital aquele dia, olhando para os meus pais e dizendo que você ia morrer.
aquele dia eu soube.
senti uma dor. doía. eles me abraçavam. eu só chorava.
lembrei que no dia anterior vc entrou pelo pronto socorro e eu nunca saía por lá, e nesse dia resolvi (ainda bem que nossos anjos conversam) passar pelo corredor e lá você na sala de emergência. entrei. você me sorriu. não queria ir pra uti. eu só pude te puncionar, te dar um beijo e dizer que você precisava e que amanhã eu estaria lá pra te ver.
aí lembrei de mais dias anteriores, porque o dia seguinte seu corpo já não respondia mais. o outro você descansou. era primeiro de janeiro.
final de ano não tem como lembrar daqueles três dias em que soube que você partiria.
mas também me lembra dos cinco anos que o seu 'tia sabrina' era o melhor que eu podia escutar.
laços invisíveis são talvez mais fortes que laços de sangue. e eu sei que ali tinha. a gente sabia.
ontem à noite subi na cirurgia pediátrica.
tinha uma menina da sua idade. com a sua cicatriz. com seus drenos. a sua cirurgia. branquinha meio amarela de cabelos pretos, um olhar sério e curioso. de dor e de força. como o seu.
ela não me viu, falei com as meninas, ela pediu pra me ver.
dei a volta no leito. disse oi. ela disse oi. chamava melissa. perguntou se eu ia cuidar dela. igual quando você me fazia. eu disse que aquela hora não, mas que quando ela precisasse sim. disse que eu sabia que doía tudo aquilo. mas que logo logo ia saindo cada um daqueles buraquinhos. disse pra ela acreditar. ela concordou com a cabeça enquanto as meninas a trocavam e a viravam pra um lado e pro outro e trocavam sua cama.
você me veio de pronto na cabeça.
você já não tem nenhum buraquinho agora né.
você já não precisa de sonda nem de agulha. nem de curativo. nem de dreno.
hoje também lembro do nosso primeiro encontro. você no quarto com seu avô. tava internada por uma otite pela sua imunodeficiência. ali não era um encontro. era o nosso reencontro.
eu sei que você sabe que eu tô falando com você. desculpa pela dor e pelo choro que te fiz lembrar hoje.
mas se eu posso te dizer algo hoje é obrigada por ser quem você representou pra mim.
obrigada por me ensinar que grandes batalhas são pra grandes guerreiros. lembro até hoje do seu bracinho magrinho levantando no meio daquele monte de gente quando o pastor contou sua história e eu tava do seu lado.
obrigada pelos seus pais me permitirem cuidar de você.
obrigada por me ensinar que as crianças sabem o que é amor.
desculpa não ter feito mais alguma coisa por você. mas se alguém fez algo ali, foi você por mim.
fica em paz.
segue seu caminho.
brilha sua luz onde quer que você vá.
eu ainda espero ficar um tempão do lado de cá. minha estrada ainda é longa. mas até qualquer dia. até breve. até o próximo reencontro.
com amor.
tia sabrina.
para él.
cresça
independente do que aconteça
eu não quero que você esqueça
que eu gosto muito de você.
independente do que aconteça
eu não quero que você esqueça
que eu gosto muito de você.
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