a criança com medo de ficar sozinha pq não podia ter acompanhante.
o pai ajoelhado a noite toda ao lado do seu berço sem saber se você ia acordar no dia seguinte e você não acordou.
a mãe assustada com cada fio e cada barulho que tem numa uti.
o choro alto do pai no banheiro de acompanhante, que dava pra ouvir o desespero de longe no salão.
quando a gente fecha a porta e põe biombo numa emergência vocês sabem que tem uma criança entre a vida e a morte.
olhar pra esse quadro me faz lembrar quem eu sou. e me faz lembrar que sou um ser humano. mortal. imperfeito.
quando a gente fecha a porta e põe biombo numa emergência vocês sabem que tem uma criança entre a vida e a morte.
olhar pra esse quadro me faz lembrar quem eu sou. e me faz lembrar que sou um ser humano. mortal. imperfeito.
era um pós plantão. os dias ultimamente tinham sido um pouco angustiantes.
toca o interfone, tem encomenda. tinha comprado um presente pra ele. e umas coisinhas aleatorias do site da china pra usar no plantão. desci, achando que era uma dessas coisas e talvez o presente tivesse chegado antes do tempo previsto. mas não, era uma caixa enorme. até olhei se não tava errado, mas meu nome e endereço tavam certos. subi. comecei a abrir. não parava de tirar embalagem e embalagem e nunca chegava. parecia criança que quer tirar logo a embalagem e não consegue. mal consegui abrir e puxar e tirar o quadro de dentro da embalagem. e chorei. e chorei. olhava a chorava.
ps: achei esse relato no rascunho de um dia não publicado. obrigada por me lembrar desse dia.

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