miércoles, 16 de junio de 2021

carta dos dez valores que eu quero tentar.

1. não gritar.

2. não ofender.

3. não fazer ao outro o que eu não gostaria que fizessem à mim.

4. se organizar.

5. tirar um tempo para si.

6. pedir ajuda.

7. pedir desculpa.

8. aceitar o erro.

9. não ter medo de errar.

10. não se isolar.

viernes, 11 de junio de 2021

doze de junho.

amanhã é aniversário da minha mãe e eu acho que a gente nunca a agradeceu de verdade por tudo que ela fez. pensei em escrever algo sobre erros e acertos, mas aprendi que a gente não precisa estar sempre certa, e é por isso que estamos aqui na vida. e minha mãe me ensinou tanto que só hoje, e ainda pouco, eu consigo ver. 

hoje acordei, como há muito tempo não acordava. tomei banho com o presente de sabonete e bucha que ela me deu e parecia que era a primeira vez na vida que eu tomava banho de tão gostoso que foi. nossa mente é muito maluca, mesmo. nos acostumamos tanto com o mesmo, e o deixamos de ver uma hora. e quando o percebemos de verdade, é incrivelmente incrível. 

tá frio, mas tô com o corpo quente. e tá tudo bem. não tá certo, mas tá tudo bem.

me encanta esa canción.


doze de maio, insta, 21´.

e hoje eu amanheci triste. era o primeiro dia da enfermagem que eu não estava trabalhando. depois de 10 anos, aquele era o primeiro que eu não passava como enfermeira. enfermeira que sou desde o dia que vesti a beca e chorei  no juramento que a gente defenderia a vida e o paciente pro resto da nossa vida. e hoje, de manhã, engoli o choro umas vezes. respirei fundo. eu tentava me confortar e pensar: tá tudo bem, é só mais um passo na minha vida. e pensava em tudo o que a enfermagem me deu até hoje pra que eu pudesse chegar onde eu tava. e aí, eu que amanheci triste, ganhei um presente de dia do enfermeiro: meu primeiro parto normal de verdade, ao lado de uma enfermeira e de uma médica. e eu, meio médica meio enfermeira, bem ali no meio das duas. segurei e dei as boas vindas à eliza, uma bebê que acabava de chegar à esse mundo. ali, eu soube que o universo me dizia que eu não precisava ficar triste, que tava tudo bem e meu caminho tava certo. que era pra eu continuar com amor, a fazer o que eu tinha aprendido a fazer até hoje, independente do papel que eu ocupe. 

obrigada equipe da G.O. por serem pessoas incríveis e transmitirem essa força e sensibilidade que vcs têm. obrigada enfermagem por me fazer ser quem eu sou até hoje. e obrigada a todas as crianças que eu já pude estar no caminho, seja vendo vocês abrirem os olhos pela primeira vez ou fechando pela última. cada uma de vocês tem um nome e uma história. a gente só faz parte de um trecho, quem as escreve são vocês.

obs: era um rascunho pro texto do insta, mas decidi deixar registrado aqui, pra eu sempre me lembrar do doze de maio. 

viernes, 30 de abril de 2021

blink.

tem tantas coisas na minha cabeça pra organizar o primeiro post de 2021 que me falta critérios pra decidir. a interminável pandemia. as coisas que eu deixei por fazer que devia ter feito. as coisas que eu não fazia e hoje eu faço e inclusive reconheço (o que tb é uma coisa que não fazia). as pessoas que estavam e foram. as pessoas que não estavam e ficam. a vida num piscar de olhos. taí, gostei. 

a vida num piscar de olhos. 

trinta de abril de 2021. são dez da noite. comecei o dia já não fazendo coisas que eram pra fazer. (e depois de ter feito coisas que talvez eu não devesse ter feito). mas só abro o olho. vejo que é tarde e eu ainda tô com sono. acordo. sorrio sozinha. saio pelada do cobertor quentinho direto pro banho. tá frio. tô meio lenta. só termino de acordar com da água no cabelo e o cheiro do sabonete na minha pele.

sei que tô errada. e que não sei muitas coisas. mas uma coisa eu sei. que estou onde quero estar. e isso, pra cabeça de um ansioso, é incrivelmente alucinante. vc estar de verdade. ali naquele lugar e naquela hora. fazendo o que tá com vontade de fazer naquele lugar e naquela hora. 

nem sempre essa sensação me acompanha em diferentes momentos de dia. alguns sim. e aí evito julgar. me deixo sentir.

e agora à noite, tô tentando lembrar de uma frase boa, mas não sei na verdade. mas quero dizer que quem tem amigos, tem tudo. que amizade é um amor que nunca morre. lembrei! era exatamente isso. obrigada por ser meu amigo. por serem minhas amigas. minha vida é incrivelmente mais colorida quando tem uma pitada de amigos no meu dia. 

namastê.

sábado, 28 de noviembre de 2020

borrarlo.

 tem dias que eu queria apagar pra que eles não existissem.

dolor.

 uma das coisas mais difíceis da vida é viver.

a tia alzira dizia que estamos na faculdade terra. que estamos de viagem, de passagem, em uma realidade muito menor do que a gente conhece ou supõe existir. estamos de passagem sem saber da onde viemos e nem pra onde vamos. pra que possamos viver de verdade o presente na terra. se soubéssemos tudo que já vivemos, e tudo que talvez existe por viver, seria muito mais difícil não nos depararmos com as tristezas do ontem e o medo do amanhã.

aqui na terra, só no presente dessa passagem a gente já sente isso. esse dilema entre viver o hoje pensando no ontem e no amanhã. imagina com mais informação. não é fácil, nem um pouco fácil. eu tenho memórias desde criança. memórias de coisas que poucas pessoas sabem, acho que ele é uma das pessoas que mais sabe. mas só quem sabe tudo, e parte de tudo, sou eu. pq tem memórias que são só sentimentos e não fatos. é quando sentimos sem sabermos o porquê. tem algumas pessoas que parecem que temos mais sentimentos do que fatos. às vezes uma pessoa nos parece tão próxima sem que de fato sejamos próximas dela. e às vezes alguém tão perto, nos parece tão longe. ou de tanto que conhecíamos, que não conhecemos mais. 

estar preparada pro pior que possa vir é algo que aprendi desde cedo. não sei como nem porquê. eu acho que eu tenho esperança. que tenho fé. que tenho coragem. mas sinto tanto medo que esqueço do que tenho. e acho sim, que o pior um dia chega. mais cedo ou mais tarde. por mais que coisas boas no meio do caminho diminuam nossa dor. ela vai aparecer. e vai te consumir. e vai te deixar não conseguir fazer mais nada. 

la enfermera y la pandemia.

me lembrarei de cada paciente que cuidei na pandemia.
a criança com medo de ficar sozinha pq não podia ter acompanhante.
o pai ajoelhado a noite toda ao lado do seu berço sem saber se você ia acordar no dia seguinte e você não acordou.
a mãe assustada com cada fio e cada barulho que tem numa uti.
o choro alto do pai no banheiro de acompanhante, que dava pra ouvir o desespero de longe no salão. 
quando a gente fecha a porta e põe biombo numa emergência vocês sabem que tem uma criança entre a vida e a morte.

olhar pra esse quadro me faz lembrar quem eu sou. e me faz lembrar que sou um ser humano. mortal. imperfeito. 

era um pós plantão. os dias ultimamente tinham sido um pouco angustiantes.
toca o interfone, tem encomenda. tinha comprado um presente pra ele. e umas coisinhas aleatorias do site da china pra usar no plantão. desci, achando que era uma dessas coisas e talvez o presente tivesse chegado antes do tempo previsto. mas não, era uma caixa enorme. até olhei se não tava errado, mas meu nome e endereço tavam certos. subi. comecei a abrir. não parava de tirar embalagem e embalagem e nunca chegava. parecia criança que quer tirar logo a embalagem e não consegue. mal consegui abrir e puxar e tirar o quadro de dentro da embalagem. e chorei. e chorei. olhava a chorava.



ps: achei esse relato no rascunho de um dia não publicado. obrigada por me lembrar desse dia.